Tuberculose

QUE É

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa quase tão antiga como a humanidade, mas cujo agente responsável só foi identificado em 1882, por Robert Kock.

Foi-lhe dado o nome de Mycobacterium tuberculosis mas também é conhecido por bacilo de Kock, em homenagem ao cientista.

 

COMO SE TRANSMITE

Pode dizer-se que a forma de tuberculose que atinge os pulmões (a chamada tuberculose pulmonar) é a única forma da doença que é contagiosa (e que constitui um perigo para a Saúde Pública), porque só esta lança para o ar ambiente o bacilo da tuberculose, dentro de pequenas “gotículas” que se formam quando a pessoa tosse, espirra ou mesmo quando fala, e que ficam em suspensão no ar durante algum tempo.

Enquanto se encontram em suspensão[1] podem ser transmitidas a outras pessoas através da sua inalação.

Se, ao serem inaladas, os diferentes mecanismos de defesa que existem desde o nariz até aos pulmões forem eficazes, estas gotículas são eliminadas e não causam qualquer problema.

No entanto se, por qualquer razão, as defesas não funcionarem, o bacilo consegue chegar aos pulmões. Aí também existem mecanismos de defesa locais que tentam controlar a “invasão” do bacilo. Se não o conseguirem, a pessoa vai ficar doente com tuberculose pulmonar ou outra forma de tuberculose pois, a partir do pulmão, a tuberculose pode espalhar-se para qualquer outra parte do organismo.

Podem ser várias as causas de insucesso dos mecanismos de defesa como, por exemplo, a diminuição das defesas devido a doenças que interferem com a imunidade ou, então, porque são inalados bacilos em tão grande quantidade que as defesas não são suficientes para controlar a “invasão”.

[1] e só neste caso porque, a partir do momemto em que se depositam, deixando de estar em suspensão, não representam mais qualquer perigo. Daí que hoje em dia já não se recomende a separação da louça e roupa do doente, como era hábito há alguns anos atrás.

 

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS DE ALERTA

A tuberculose pulmonar é conhecida por “a grande simuladora” porque pode-se apresentar de várias maneiras.

Desde não dar qualquer tipo de queixa - neste caso só se por outra razão qualquer (por exemplo: pré-operatório), a pessoa faz uma radiografia aos pulmões e “lá está ela” - até dar uma repercussão grande sobre o estado geral do doente, com febre, grande falta de apetite, emagrecimento, tosse mais ou menos intensa sem ou com expectoração e, inclusivamente, a eliminação de sangue vivo pela boca.

Uma tosse arrastada, que se prolonga por mais de duas a três semanas, deve alertar a pessoa e levá-la a fazer uma radiografia aos pulmões.

 

ONDE E COMO SE TRATA

Muitas vezes, só quando as queixas são muito marcadas, com grande repercussão sobre o seu estado geral, é que a pessoa doente recorre ao hospital (geralmente ao Serviço de Urgência), onde lhe é feito o diagnóstico de tuberculose.

Se fôr internada, começa o tratamento e, geralmente ao fim de uma a três semanas tem alta para continuar o tratamento em ambulatório.

Se não fôr internada ou o diagnóstico fôr suspeitado pelo seu Médico de Família, o doente é enviado ao Centro de Diagnóstico Pneumológico – antigo “Dispensário” – ou, quando estes não existem, a uma Consulta de Tuberculose num Centro de Saúde, onde vai ser confirmado o diagnóstico e vai começar ou continuar o tratamento, no caso de vir do internamento hospitalar.

Não procure ajuda “só nas últimas”. Assim que se sentir doente ou sentir que “qualquer coisa não está bem”, recorra ao seu Médico de Família ou faça uma radiografia aos pulmões.

O tratamento da tuberculose dura, geralmente, 6 meses. Nos dois primeiros meses, a chamada “fase intensiva”, os doentes têm que tomar todos os dias – de uma só vez de manhã - 4 antibióticos diferentes (os antibacilares), num total de 9 comprimidos. A partir do 3º mês, a “fase de manutenção”, têm que tomar apenas 2 comprimidos por dia até completar os 6 meses.

 

SITUAÇÃO DA TUBERCULOSE EM PORTUGAL

Ao contrário do que pensa a grande maioria da população portuguesa, a tuberculose em Portugal tem diminuido progressivamente há mais de 20 anos para cá.

De uma taxa de incidência (número de novos casos por ano e por 100.000 habitantes) de 60.9 em 1988, passou para 25.7 em 2007 (números provisórios), isto é, assistiu-se a uma redução de 58% em 20 anos. Nos últimos 5 anos desceu, em média, 7.2% ao ano e de 2006 para 2007 desceu 14%.

Em 2007, diagnosticaram-se 2690 novos casos (isto é, pessoas que estiveram com tuberculose pela primeira vez) e 226 retratamentos (pessoas que anteriormente já tinham tido tuberculose), num total de 2916 casos.

A maioria dos casos ocorre nos distritos do litoral, com particular incidência nos distritos de Lisboa, Setúbal, Porto e Faro.

Onze por cento (11%) dos casos de tuberculose atingiu imigrantes, particularmente os oriundos de Angola e Cabo Verde.

Em 396 pessoas (13.6%) com tuberculose, havia SIDA associada, a chamada co-infecção TB/SIDA, sendo Portugal o país da União Europeia com o maior número, predominando nos distritos de Lisboa, Setúbal e Faro. Mesmo assim, em números absolutos, verificou-se uma redução de 41% de casos nos últimos 5 anos.

Tentámos, ao longo desta apresentação, e de um modo “ligeiro”, dar uma panorâmica geral da tuberculose como doença, desmistificando-a, e da sua situação actual em Portugal.

 

 

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