'Eat Mediterranean': autarquias saúdam iniciativa da ARS

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05 Janeiro 2017

As Câmaras municipais de Alpiarça e de Santarém consideram que o Programa da Dieta Mediterrânica (‘Eat Mediterranean’) levado a cabo pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) nas escolas dos respetivos concelhos tem constituído “uma mais-valia decisiva”.
Ao fim de pouco mais de um ano de projeto, os municípios são unânimes na apreciação global dos resultados.
“A nossa avaliação é extremamente positiva. Enquanto Câmara, o nosso interesse é o de assegurar a qualidade da alimentação que é disponibilizada nas escolas”, afirma Inês Barroso, vereadora da Câmara Municipal de Santarém com o pelouro da Educação. A responsável salienta ainda a “grande adesão” ao projeto que se tem verificado da parte de alunos, encarregados de educação, professores, profissionais dos refeitórios e das empresas fornecedoras. Existiram algumas resistências, mas “foram pontuais” e logo resolvidas.

Preocupação com a apresentação
Inês Barroso recorda, por exemplo, as queixas de alguns alunos que achavam o prato demasiado ‘verde’ – ou seja, com muitos legumes, a que não estavam habituados –, ou que protestavam porque tinham de comer sopa, que diziam ser muita. Por isso, uma das preocupações que foram transmitidas pelos técnicos e logo assimilada por quem trabalha no terreno foi precisamente a da apresentação dos pratos. Assim, a sopa em alguns casos passou a ser servida em tacinhas (que dão a ilusão de que já não é muita) e os legumes ‘escondidos’ por baixo da carne ou do peixe, por exemplo.
O balanço do programa ‘Eat Mediterranean’ é tão positivo que já passou para o nível intermunicipal, revela a vereadora Inês Barroso, adiantando que 11 municípios da Comunidade Intermunicipal do distrito de Santarém já adotaram nas suas escolas as ementas delineadas pelos nutricionistas e demais técnicos destacados pela ARSLVT.

Entidade de saúde no terreno foi decisiva
Outra das principais características deste programa é que as regras da Dieta Mediterrânica vão continuar a ser cumpridas independentemente do final do projeto, previsto para este ano. Isto porque estamos a falar de uma mudança de hábitos alimentares, envolvendo desde a escola às famílias, passando pelas empresas.
“O balanço, para nós, é muito positivo. É muito importante ter uma entidade de saúde – neste caso, a ARSLVT e os profissionais – a analisar as ementas, a mostrar o que se deve alterar e porquê”, destaca, por seu turno, Ricardo Luciano, do Gabinete de Educação da Câmara Municipal de Alpiarça. A presença da ARSLVT foi, assim, decisiva para dar conforto e vencer resistências que pudessem surgir e, na opinião de Ricardo Luciano, foi mesmo o principal ponto positivo deste programa. Destaca ainda a formação que foi possível dar às profissionais de cozinha, que ficaram com fichas técnicas detalhadas de ementas, orientadoras e facilitadoras do seu trabalho.


Ricardo Luciano considera que a experiência do programa ‘Eat Mediterranean’ deveria ser replicada noutras regiões: “A escola não se deve limitar à transmissão de conhecimentos nas áreas convencionais. Também deve ter um papel pedagógico noutros temas, como o da alimentação. Aqui há uns anos, a preocupação era corresponder inteiramente ao que os pais queriam dar aos filhos. Se estes não gostassem de grão, por exemplo, na escola não se insistia. Agora não, e o papel da escola também passa por aí: ensinar o que são os alimentos, explicar os benefícios e como devemos comer”.