Projeto Eat mediterranean: 'um ano muito positivo'

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23 Dezembro 2016

O balanço do primeiro ano de atividades do projeto Eat Mediterranean – de promoção da Dieta Mediterrânica junto de cerca de 6.000 mil alunos de escolas de Santarém e Alpiarça – é "muito positivo", salienta uma das coordenadoras do projeto, Ana Dinis, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). A médica de saúde pública elogia o excelente trabalho de parceria da Saúde com escolas (alunos, docentes e não docentes), associações de pais e municípios, essenciais para a mudança de hábitos alimentares e promoção da atividade e exercício físicos.

Ao nível da melhoria nutricional das refeições servidas nas escolas do ensino pré-escolar e primeiro ciclo, um dos objetivos centrais do projeto, importa destacar a colaboração das autarquias, cuja "coragem e determinação" neste projeto têm sido "fundamentais e decisivas", acrescenta Ana Dinis. "O desenvolvimento do projeto tornou-se mais fácil pelos bons parceiros que encontrámos. Os municípios sabiam o que havia a fazer e foram corajosos em aproveitar a oportunidade deste projeto", explica.
O Programa de Promoção da Dieta Mediterrânica, financiado pelos países do EEA Grants (Espaço Económico Europeu), arrancou em setembro de 2015 nos concelhos de Alpiarça (Agrupamento de Escolas Dr. José Relvas) e Santarém (Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado e Agrupamento de Escolas Sá da Bandeira).

Além de múltiplas atividades e iniciativas desenvolvidas junto das respetivas comunidades – alunos, pais, professores, dirigentes e funcionários das escolas, responsáveis municipais e de empresas fornecedoras –, de promoção de hábitos alimentares mais saudáveis baseados nos padrões da Dieta Mediterrânica, o projeto teve já como consequência mais visível a introdução, de ementas nutricionalmente mais equilibradas e adequadas servidas nos refeitórios no início do presente ano letivo (setembro de 2016), com maior teor e diversidade de vegetais, leguminosas e peixe rico em ómega 3 – sem qualquer aumento de preço para os alunos.

Avaliação nutricional e acompanhamento de alunos

Foi também realizada uma avaliação do estado nutricional (peso e estatura), dos hábitos alimentares e da prática de atividade física de cerca de 4.000 alunos dos agrupamentos de escolas dos dois concelhos. Isso permitiu o acesso a sessões de acompanhamento individual, feito por equipa de nutricionistas e psicólogos, para todos os alunos com alterações do estado nutricional e respetivos pais (1.302 alunos acompanhados até novembro).
Está ainda em curso a mudança do tipo de alimentos vendidos nos bares e bufetes das escolas (tendo já sido lançadas opções de lanches nutricionalmente adequados), processo este que se espera completar até abril de 2017.

Recorde-se que este projeto abrange todos os níveis de escolaridade dos referidos agrupamentos, desde o ensino pré-escolar até ao secundário, e respetivas comunidades: alunos, pais, educadores, professores e outros profissionais, num total aproximado de 6.000 alunos, 560 docentes, 190 não docentes e 13.700 pais e (ou) encarregados de educação.

Desde o ano letivo de 2015/2016 que um grupo de nutricionistas, psicólogos e outros profissionais do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria (médicos, enfermeiros e técnicos de saúde), com a ajuda de dirigentes das escolas, docentes, encarregados de educação e responsáveis municipais, têm desenvolvido também uma série de ações de promoção da Dieta Mediterrânica – elevada pela UNESCO a Património Cultural da Humanidade, em 2013 – e de mudança dos hábitos alimentares.

O projeto tem ainda como entidades parceiras o Hospital Distrital de Santarém (consulta de obesidade infantil), o Centro de Estudos e Investigação em Dinâmicas Sociais e Saúde, o ISCTE-IUL – Instituto Universitário de Lisboa e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.