
O Hospital Garcia de Orta (HGO) é o primeiro Hospital em Portugal a implementar uma Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) de doentes agudos. Após uma fase experimental, e o internamento no domicílio de mais de 100 doentes, a primeira UHD nacional revela-se como um modelo assistencial alternativo ao internamento hospitalar convencional.
A UHD, centrada no doente e nas famílias/cuidadores, trata-se de um modelo de assistência hospitalar que se carateriza pela prestação de cuidados no domicílio a doentes agudos, cujas condições biológicas, psicológicas e sociais o permitam. Assenta em 5 princípios fundamentais: voluntariedade na aceitação do modelo, igualdade de direitos e deveres do doente, equivalência de qualidade na prestação dos cuidados, rigor na admissão de doentes e no seu seguimento clínico, humanização de serviços e valorização do papel da família.
Com início de atividade no final de 2015, a UHD do HGO conta já com cerca de 105 doentes admitidos, com uma duração média da estadia em UHD de 8.7 dias de internamento.
A UHD tem por missão contribuir para o melhor nível possível de saúde e bem-estar dos indivíduos da área de abrangência do HGO, que necessitem transitoriamente (ou seja, durante fase aguda ou agudizada da doença) de cuidados de nível hospitalar, oferecendo-lhes um serviço de qualidade com o rigor clinico e a visão holística e humanizada da Medicina Interna, sempre que a permanência no hospital seja prescindível.
Assim, procura contribuir para um hospital sem muros, garantindo mais e melhores acessos aos cuidados de saúde, promovendo a redução das complicações inerentes ao internamento convencional (como as quedas ou infeções), criando ainda um entorno psicológico mais favorável ao doente durante o período de tratamento, e valorizando o papel da família/cuidador, prevenindo a rejeição, o abandono e a institucionalização.
A UHD do HGO está integrada no serviço de Medicina Interna, e conta com uma equipa de 19 elementos que garantem a cobertura médica e de enfermagem, durante 24 horas, todos os dias do ano, inclusive nos feriados e fins-de-semana, em regime de presença física e prevenção.
A opção pelo internamento domiciliário pode ser colocada na admissão do doente no serviço de urgência, na consulta externa e no Hospital de Dia, e exige um diagnóstico claro, a estabilidade clinica e a possibilidade de controlar as co-morbilidades no domicílio. Após referenciação, o doente é submetido a uma avaliação em 3 eixos: médico, enfermeiro e assistente social, numa multidisciplinariedade complementar.
Os dados disponíveis permitem já afirmar a existência de uma redução na taxa de complicações, nomeadamente infeções. A satisfação dos doentes e das famílias é elevada. Na avaliação subsequente realizada em consulta externa, a grande maioria dos utentes apresenta-se estável sem necessidade de reinternamento hospitalar.
Veja aqui a reportagemHospitalizacao_Domiciliaria_
