COVID-19: Ansiedade, insónia e manifestações somáticas predominam em linhas de apoio em Saúde Mental da ARSLVT

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28 Abril 2020


Mais de um mês após ter início a intervenção em Saúde Mental em contexto de catástrofe, o Gabinete de Crise da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) faz um balanço positivo da operação. O plano abrange os 15 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) e os Serviços de Psiquiatria dos 16 hospitais da Região, com reforço do apoio emocional a utentes, familiares e profissionais de saúde em matéria de Saúde Mental. A ansiedade, insónia e manifestações somáticas são as principais queixas identificadas.

Desde 15 de março que, no âmbito da pandemia de COVID-19, foram criadas consultas específicas de apoio aos utentes e profissionais de saúde dos ACES e hospitais de Lisboa e Vale do Tejo. Para tal foram disponibilizados contactos telefónicos e emails, podendo a consulta ser também presencial. Cuidados de Saúde Primários e Serviços de Psiquiatria estão envolvidos de forma concertada e articulada, numa intervenção em que todos os grupos profissionais da saúde dão respostas locais e de continuidade, permitindo o acompanhamento regular, da forma necessária e a quem precisa.

“Desde o primeiro momento que a Saúde Mental foi uma das nossas preocupações na Região, dadas as características e as implicações desta pandemia”, refere Luís Pisco, Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que também salienta a proatividade da equipa e dos profissionais envolvidos.

Ansiedade, insónia e manifestações somáticas do stresse e ansiedade são as manifestações mais relatadas por aqueles que recorrem a este serviço. “O nosso mundo mudou e há uma grande incerteza quanto ao futuro. É normal ter medo, mas o importante é tentar encontrar estratégias para lidar com ele”, acrescenta Teresa Maia, Coordenadora Regional de Saúde Mental da ARSLVT.

De acordo com a psiquiatra, “apesar de utentes e profissionais estarem a demonstrar grande resiliência, estas consultas são fundamentais e neste primeiro mês foram acompanhadas centenas de profissionais e milhares de utentes”.

Os utentes da Região que nesta fase sintam necessidade de apoio em Saúde Mental devem solicitá-lo junto dos seus centros de saúde, preferencialmente através de contacto telefónico e de email. Serão atendidos por psicólogos e médicos de família que para isso receberam formação. Caso necessário, as pessoas serão encaminhadas para os profissionais das equipas dos Serviços Locais de Saúde Mental.

Foi também criado um guia de apoio à consulta na área da Saúde Mental para os profissionais que acompanham pessoas infetadas pela COVID-19 e estão em acompanhamento domiciliário. A intervenção nos ACES e hospitais inclui ainda apoio aos familiares de doentes infetados, sempre que solicitado.

Nos Serviços de Psiquiatria hospitalares, além de se garantir o apoio a profissionais, deu-se prioridade às pessoas com doenças psiquiátricas que apresentam quadros de maior gravidade e aos mais vulneráveis, garantindo ou reforçando o seu acompanhamento e medicação, quer seja no ambulatório, internamento e nos serviços de Urgência. Os serviços reorganizaram-se e passaram a desenvolver mais teleconsulta, mantendo-se em presença física o acompanhamento de doentes mais graves.

Foram implementadas uma série de medidas preventivas relativamente à Saúde Mental dos profissionais, através da produção e difusão de vídeos, dando indicações de como melhorar a comunicação, permitir a verbalização de emoções, criar um clima de segurança emocional e ainda normalizar sintomas que não são sinónimos de doença mental. “O papel de quem chefia é fundamental. Quem coordena deve estar mais atento àqueles que por algum motivo podem estar mais vulneráveis, ou porque tem antecedentes, ou porque está mais sozinho, sem grande rede de suporte”, acrescenta Teresa Maia. Nos ACES, além das consultas a profissionais, também têm sido desenvolvidas estratégias de prevenção do stress e do burnout, bem como estratégias de proximidade às equipas que se encontram no terreno, com especial enfoque daquelas que trabalham nas Áreas Dedicadas Covid-19 (ADC).

A intervenção em Saúde Mental na Região de Lisboa e Vale do Tejo inclui ainda todo um trabalho de articulação em termos regionais com a Saúde Pública, a área das Dependências, os Cuidados Continuados, bem como na área da Violência Doméstica e Núcleos de Apoio a crianças e jovens. “Temos trabalhado com os nossos parceiros da comunidade, que vão desde as estruturas autárquicas, às associações de apoio aos sem-abrigo, IPSS, forças de segurança, entre outras. Só desta forma as respostas poderão ser realmente eficazes e ter continuidade”, conclui Teresa Maia.

Recorde-se que a Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou recentemente uma norma relativa à Saúde Mental e em simultâneo lançou o site do Programa Nacional de Saúde Mental dedicado à COVID-19.

Veja aqui a peça da SIC sobre este tema.