Cimeira de Cascais. Compromisso Nacional por uma Agenda de Valor em Saúde em Portugal

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15 Maio 2019
A criação de valor em saúde é uma forma exemplar de colocar os doentes no centro do sistema. Baseado no conceito de Michael Porter visa melhorar os resultados em saúde que têm importância para os doentes ao mais baixo custo possível através de ciclos de melhoria contínua.
 
Na Nova SBE, em Carcavelos foi assinado por Luís Pisco, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, o compromisso por uma Agenda de Valor e Saúde em Portugal. Esta cerimónia contou ainda com as intervenções de José Fragata, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa, de Salvador de Mello, presidente do Health Cluster Portugal, coorganizador desta cimeira, a par com a Universidade Nova de Lisboa.
 

Este compromisso agora assinado assenta em cinco medidas para uma saúde baseada em valor. A sua metodologia vai permitir melhorar transversalmente a saúde em Portugal, centrar os cuidados no doente e melhorar a qualidade e o acesso, com o máximo de eficiência, ou seja, ao menor custo possível. Esta iniciativa deve envolver todos os atores da saúde em Portugal quer em conjunto quer individualmente.

Há uma dezena de anos, o economista de Harvard, Michael Porter, lançou um conceito que pretendia mudar os sistemas de saúde de todo o mundo – o conceito de prestação de cuidados de saúde com base em valor. Mais do que a tradicional prestação baseada em volume, importará considerar o valor adicionado pela prestação de um qualquer ato médico, sendo que valores são ganhos sustentados de saúde, isto é, reprodutíveis, duradouros no tempo, que produzam satisfação e tenham significado para os doentes. Obtidos ao mais baixo custo possível, ou seja, “quanta saúde sustentada podemos adquirir com cada euro gasto”.

A criação de valor em saúde é uma forma exemplar de colocar os doentes no centro do sistema, centralizando os cuidados nas suas necessidades, atendendo aos resultados de saúde por eles próprios percecionados e reportados, também na perspetiva de monitorização de doentes em contexto extra-hospitalar e da prestação informal de cuidados de saúde. Esta abordagem, que deverá unir os esforços dos prestadores e da gestão, interessará também aos pagadores, sejam públicos ou privados, e permitirá gerar satisfação nos doentes. Ainda, ao permitir benchmarking, facilitará a tomada de decisões informadas por parte de todos.  

Esta Cimeira de Cascais, para além da mostra de Ciência, contou com investigadores nacionais e estrangeiros, que apresentaram resultados de trabalhos de investigação com dados portugueses e experiências locais.

Com este compromisso, pretende-se envolver todos os players, de todos os quadrantes profissionais e sociais com relevo para a Saúde e, no contexto de um grande consenso nacional, promover a implementação desta metodologia da qual se espera ganhos para a saúde de todos e para a sustentabilidade do sistema nacional de saúde.