Violência interpessoal em debate na Região

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27 Março 2019


O Auditório do Infarmed, em Lisboa, foi palco de uma reunião de trabalho sobre violência interpessoal na Região. O evento, que decorreu na tarde de 26 de março, contou com a presença de Luís Pisco, Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), Raquel Duarte, Secretária de Estado da Saúde, e Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade. Partilhar experiências para reforçar as respostas em matéria de prevenção e combate à violência foi o principal objetivo do encontro.

Na plateia estiveram membros das 48 Equipas de Prevenção da Violência em Adultos (EPVA) da ARSLVT, dirigentes da ARS, de hospitais e agrupamentos de centros de saúde. Tudo para debater a articulação entre profissionais e boas práticas, mobilizando para respostas cada vez mais efetivas a este fenómeno.


Na sessão de abertura da reunião, Luís Pisco salientou o facto de “a ARSLVT ter cobertura a 100% pelas EPVA, o que se traduz no envolvimento de cerca de 200 profissionais”. E só o “imenso envolvimento dos profissionais” tem permitido “uma resposta muito positiva”, traduzida em 991 novos casos acompanhados em 2017 e em mais de 1.600 em 2018. Isto apesar “dos múltiplos constrangimentos, como horários reduzidos, mobilidade dos profissionais, múltiplas atividades”.

Segundo o dirigente máximo da ARSLVT, “os resultados regionais evidenciam o trabalho crescente das EPVA, não só nas múltiplas atividades dirigidas à população e aos profissionais de saúde, mas também nas parcerias estabelecidas com instituições de apoio à vítima existentes na comunidade e câmaras municipais. Os ressultados espelham igualmente a “articulação entre equipas dos centros de saúde e hospitais”.

Por isso, Luís Pisco manifestou o empenho do Conselho Diretivo da ARSLVT para, em conjunto com os conselhos de administração dos hospitais e direções executivas dos centros de saúde, poder “criar melhores condições para obter melhores resultados”.


Por sua vez, Raquel Duarte, Secretária de Estado da Saúde, reforçou que “os cuidados de saúde são a primeira porta a que as vítimas de violência doméstica batem”, sendo por isso necessário “que os profissionais estejam preparados para identificar e orientar devidamente estes casos, existindo já ferramentas e equipas no terreno”.


Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, referiu que “estas ações no terreno consolidam o entendimento de que a violência doméstica e contra as mulheres é uma questão de Saúde Pública, tendo o sistema de saúde um papel central no tratamento, sinalização, prevenção e educação, por ser um contexto onde passam, muitas vezes pela primeira vez, muitas das vítimas que não podem ser ignoradas. Temos de reforçar a utilização, por profissionais, dos instrumentos e protocolos de atuação já disponíveis.”


Numa mesa moderada por Teresa Maia, Coordenadora Regional de Saúde Mental, Vasco Prazeres, Coordenador do Grupo de Acompanhamento da Ação de Saúde sobre Género, Violência e Ciclo de Vida (ASGVCV), apresentou o panorama nacional nesta matéria. Luísa Horta e Costa, Interlocutora Regional da ARSLVT na ASGVCV, fez o ponto da situação regional. Seguiram-se os exemplos de boas práticas, a cargo das EPVA do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo e do ACES Oeste Sul. Manuel Abrantes, da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade, abordou a Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica.


A sessão terminou com a intervenção de Luís Pisco e Purificação Gandra, que em representação da Secretária de Estado da Saúde anunciou a intenção de transformar esta Ação de Saúde em programa nacional, “com mais suporte logístico e político”.