VAMOS COMER BEM CÁ DENTRO - Projeto do ACES Arco Ribeirinho

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07 Outubro 2016

No passado dia 28 de setembro decorreu na Biblioteca Municipal da Moita a apresentação dos resultados do projeto "Vamos Comer Bem Cá Dentro" (VCBCD), referente ao ano lectivo 2015/2016. Este projeto tem como objetivo geral promover a disponibilização de alimentos nutricionalmente equilibrados e seguros aos alunos do Parque Escolar do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Arco Ribeirinho. A sua realização contou com a equipa multidisciplinar da Saúde Escolar.

Foram abrangidas 44 escolas, o que representa 50% do total do Parque Escolar dos quatro concelhos abrangidos pelo ACES do Arco Ribeirinho (Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo).

Por forma a dar cumprimento aos objetivos definidos foi efetuada a avaliação das condições dos refeitórios, das ementas, a adequação do empratamento e a caracterização dos alimentos disponíveis no bufete e nas máquinas de venda automática (exceto nas escolas do 1.º ciclo).

Os resultados obtidos durante este segundo ano de execução do VCBCD permitiram conhecer a realidade da oferta alimentar dos refeitórios/bufetes/máquinas de venda automática das escolas visitadas, tendo-se verificado que nenhum estabelecimento escolar cumpre na totalidade com as orientações da Direção Geral de Educação (DGE).

Nas escolas do 1º ciclo (n=33) verificou-se que dos vários componentes constituintes da refeição do almoço, os hortícolas crus e os hortícolas cozidos não chegam a satisfazer 30% da quantidade preconizada pela DGE. Para além dos hortícolas, verificou-se que a capitação da fruta, acompanhamento (arroz, batata ou massa) e a fonte proteica (carne, peixe ou ovo) representam apenas cerca de 50% do recomendado.

Nas escolas do 2º + 3º ciclos e secundárias os hortícolas cozidos são o componente que apresenta uma contribuição mais baixa (39 %) face ao preconizado pela DGE. Quando analisada a adequação do empratamento face às necessidades nutricionais, nas escolas do 1º ciclo, verificou-se um valor energético inferior (valor médio: 355 Kcal/refeição) ao recomendado para a refeição do almoço (492 a 574 Kcal), devendo-se essencialmente ao baixo teor de hidratos de carbono (média verificada: 48 g/refeição) e ao teor de lípidos apurado se encontrar muito próximo do limite mínimo recomendado.

Nas restantes escolas (2º + 3º ciclo e secundárias) o valor energético das refeições também se encontrou abaixo do limite mínimo recomendado para as respectivas faixas etárias, devendo-se ao facto dos teores de lípidos e de hidratos de carbono se encontrarem muito próximos dos limites mínimos recomendados, com exceção do teor de lípidos nas escolas 2+3º ciclos que se encontra dentro do limite recomendado. Contudo, o teor de proteínas ultrapassou o teor máximo recomendado para a refeição do almoço.

De um modo geral, os bufetes cumpriam a proporcionalidade de géneros alimentícios a promover e os a limitar (3:1). Contudo, no que se refere à disponibilidade espacial, em que os géneros alimentícios a promover devem estar dispostos de modo a serem os primeiros no campo visual, verificou-se que tal não acontecia.

As cinco máquinas de venda automática colocadas nas escolas do 2º+3º ciclos e secundárias não cumprem na sua grande maioria com os géneros alimentícios permitidos, uma vez que disponibilizavam alimentos ricos em açúcar, sal e gordura (exemplos: chocolates, bolachas e bolos com creme, néctares, barrinhas de cereais, salgados, entre outros).

Por conseguinte, considera-se impreterível o cumprimento das orientações da DGE, sendo importante a colaboração de todos os intervenientes no espaço escolar, quer numa perspetiva pedagógica, quer pela responsabilidade na gestão e funcionamento dos refeitórios, bufetes e máquinas de venda automática. Torna-se, então, crucial envolver os vários intervenientes em todo este projeto, nomeadamente os diretores dos agrupamentos de escolas, os professores e assistentes operacionais, as autarquias, os alunos, as associações de pais e encarregados de educação, as autarquias e os profissionais de saúde.