Novo rastreio da ARSLVT avalia saúde visual das crianças

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15 Novembro 2018

“Ver bem, crescer melhor.” Este é o slogan do novo Rastreio de Saúde Visual Infantil que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) lançou hoje nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) Oeste Norte e Oeste Sul e que será, progressivamente, alargado a toda a região.

Este programa de rastreio de base populacional consiste num exame simples aos olhos, que permite detetar precocemente alterações da visão. Todas as crianças inscritas no ACES Oeste Norte e Oeste Sul vão ser convidadas a fazer este rastreio no ano em que completam dois anos de idade, através de uma carta convite que receberão em casa.

Numa primeira fase o rastreio vai convocar cerca de 3000 crianças dos dois ACES. Ao longo de 2019 a ARSLVT vai alargar o rastreio a mais locais. Tanto a consulta como o teste de rastreio feitos no centro de saúde são totalmente gratuitos, dispensando pagamento de taxa moderadora.

“Este rastreio reforça a importância dos cuidados de saúde primários enquanto local privilegiado para a promoção da saúde e prevenção da doença. Com o Rastreio de Saúde Visual Infantil estamos a apostar na deteção precoce de problemas de visão, como estrabismo, miopia, hipermetropia e astigmatismo, proporcionando, sempre que necessário, o encaminhamento para uma consulta de oftalmologia num hospital”, explica Eunice Carrapiço, médica de família e coordenadora da Equipa Regional dos Programas de Rastreio da ARSLVT. “A saúde visual é também é determinante no sucesso escolar”, reforça a coordenadora.

O teste demora 1 a 2 minutos e consiste na realização de uma fotografia aos olhos da criança, feita com uma tecnologia inovadora, rápida e indolor que permite identificar fatores de risco para a ambliopia (olho preguiçoso). A imagem é enviada para o centro de leitura do Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto, onde será analisado por um oftalmologista.

Se os testes realizados não apresentarem alterações de visão, a criança de 2 anos regressa à lista de rastreios e voltará a ser convocada para um novo exame aos quatro anos. Se o oftalmologista detetar alterações, a criança será chamada para uma consulta de oftalmologia no hospital, onde será avaliada, feito o diagnóstico e, caso necessário, o tratamento.

A ambliopia é um problema de saúde pública, sendo considerada a causa mais frequente de perda de visão entre os 20 e os 70 anos de idade. Admite-se que a sua prevalência nos países desenvolvidos varia entre 1 e 5%. A morbilidade associada à ambliopia não se limita à diminuição da acuidade visual, mas inclui também prejuízo de outras capacidades da função visual com consequências definitivas na vida quotidiana.

A ambliopia instala-se desde idades precoces, muitas vezes de forma assintomática, já que as crianças não exibem sinais clínicos nem verbalizam queixas. Uma vez que a ambliopia é quase sempre unilateral, também não se observam alterações comportamentais capazes de fazer suspeitar da sua presença.