Unidade de Radiorrastreio: inaugurada nova “arma” contra as doenças respiratórias

Umr1 1 690 400
04 Abril 2018

Num ano pode realizar entre 10 a 12 mil raios-x com tecnologia “de ponta”, vai a instituições tão diversas como prisões ou creches, emite níveis baixíssimos de radiação, está preparada para funcionar sem depender de fontes de energia e permite o acesso a pessoas com mobilidade reduzida. É assim a nova Unidade Móvel de Radiorrastreio (UMR) da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), inaugurada a 3 de abril por Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, no Centro de Saúde de Almeirim.

A presidir a uma cerimónia que incluiu ainda a entrega de seis viaturas ligeiras ao Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Lezíria, o governante começou por referir que este é um bom exemplo da aposta nos Cuidados de Saúde Primários, fomentando a “proximidade, a efetividade e a confiança” no Serviço Nacional de Saúde (SNS).


Fernando Araújo salientou a qualidade e rapidez dos exames efetuados pela Unidade Móvel de Radiorrastreio e destacou a «capacidade desta unidade ir aos locais onde os utentes estão, trazê-los para dentro do SNS e reduzir o surgimento de novos casos». Segundo o Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, esta nova Unidade Móvel de Radiorrastreio permite chegar a «bolsas de população mais vulnerável», como os sem-abrigo, os emigrantes, indivíduos com comportamentos aditivos e população de estabelecimentos prisionais. Unidades como esta, acrescentou o governante, ajudam a alcançar o «objetivo ambicioso, mas exequível, de até 2030 terminar com a epidemia de tuberculose no País».

Dotada de equipamento de Radiologia Convencional Digital Direto, esta UMR é a mais sofisticada do País e está ao nível do melhor que se faz na Europa. Maria da Conceição Gomes, Coordenadora do Programa de Tuberculose da ARSLVT, destacou precisamente a “maior acuidade” do equipamento, que, dispondo “da mais recente tecnologia”, permite uma “melhor acessibilidade aos exames, a um diagnóstico rápido e à prevenção”.

 

“A tuberculose ainda existe e com um peso significativo na nossa comunidade”, referiu a especialista. Reconhecendo que a evolução nos números da tuberculose foi imensa nos últimos 40 anos, Maria da Conceição Gomes recordou que em 2017 ainda se registaram 16 casos/100.000 habitantes e que é preciso “aumentar as parcerias e incentivar os rastreios para que em 2030 não tenhamos tuberculose em Portugal”.

E se é verdade que a incidência da tuberculose tem vindo a diminuir, há outras patologias respiratórias em crescimento, nomeadamente o cancro do pulmão, acrescentou a Coordenadora do Programa de Tuberculose da ARSLVT. Daí que a importância da UMR seja redobrada.

O raio-x é gerado imediatamente após a realização do exame e enviado em suporte digital para o radiologista e médicos do Centro de Diagnóstico Pneumológico. Posteriormente é remetido para o clínico que acompanha o utente, quer seja médico de família ou de outra especialidade.

Adquirida com fundos europeus no valor de 685.000€, a UMR vai rastrear prioritariamente os cerca de 217.500 utentes do ACES Lezíria e dos concelhos de Benavente e Azambuja.

Também presente na cerimónia, Pedro Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Almeirim e Presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, elogiou a aposta nos cuidados de proximidade, afirmando que a entrega das viaturas é um passo importante para “ter um SNS de referência e de excelência”.

Viaturas proporcionam maior proximidade

Sobre as seis viaturas que foram entregues a diferentes unidades do ACES da Lezíria, Fernando Araújo considerou-as como uma “resposta única” das equipas de saúde. Não só porque permitem “ter altas mais precoces”, mas sobretudo porque possibilitam cuidados prestados nos domicílios das pessoas, reduzindo também as dificuldades de mobilidade dos utentes e potenciando respostas integradas com os serviços existentes na comunidade.



Recorde-se que estes veículos ficaram alocados às Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados de Almeirim e Santarém, às Unidades de Saúde Familiar Alviela, Almeida Garrett, Planalto, S. Domingos, Foral Novo e Vale do Sorraia, à Equipa Comunitária de Cuidados Paliativos, à Equipa de Saúde Pública do ACES Lezíria e às Unidades de Cuidados Continuados Almeirim/Alpiarça e de Salvaterra de Magos.

O total da população potencialmente atingida por estas viaturas ultrapassa os 150 mil habitantes. Também aqui as viaturas foram financiadas por fundos europeus, no valor de 150.000€.

 

A candidatura a fundos europeus incluiu ainda a aquisição de quiosques de atendimento, plasmas e desfibrilhadores automáticos externos de treino para ações de formação.