ARSLVT recebe Prémio de Boas Práticas em Saúde com projeto para utilizadores frequentes das urgências

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24 Novembro 2017

A 11.ª Edição do Prémio de Boas Práticas em Saúde, promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), decidiu distinguir com uma menção honrosa o projeto-piloto da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que identifica e apoia os doentes crónicos e grandes utilizadores das urgências hospitalares, num trabalho que envolve o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e o Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira, dia 23 de novembro, no Encontro da 11.ª Edição do Prémio de Boas Práticas em Saúde, que decorreu no Auditório da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. O galardão foi entregue hoje, sexta-feira, dia 24 de novembro, durante a conferência “Integração de Cuidados e Literacia em Saúde. Capacitar o Cidadão no SNS”, da APDH, que decorreu no mesmo local.

Com o aumento da esperança média de vida, são cada vez mais os doentes idosos e com múltiplas patologias que chegam aos serviços de saúde, sendo muitas vezes a urgência hospitalar a principal porta de entrada – o que tem impacto tanto na qualidade de vida destas pessoas como na capacidade de resposta dos serviços. Foi a pensar neste desafio que a ARSLVT lançou este projeto-piloto que começou por identificar os grandes utilizadores dos serviços de saúde, para depois lhes propor um plano individual de cuidados. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, 60.512 pessoas são consideradas “utilizadoras frequentes”, gerando mais de 335 mil urgências por ano.

O Projeto Piloto Programa de Gestão Integrada de Cuidados aos Doentes Crónicos Complexos começou a ser desenhado no início do ano. A população alvo do projeto foi constituída através do estudo retrospetivo das bases de dados hospitalares e dos Cuidados de Saúde Primários dos utilizadores frequentes (com 4 ou mais admissões nas urgências no período de um ano), tendo-se como referência os anos de 2015 e 2016.

Foram selecionados os doentes que acorreram ao Serviço de Urgência Geral do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO - Hospital S. Francisco Xavier) e que, cumulativamente, tinham mais de 65 anos, três ou mais doenças crónicas e que estavam inscritos em três unidades de saúde familiar (USF Oeiras, Conde de Oeiras e S. Julião). Existem cerca de 150 doentes elegíveis e perto de 60 já foram contactados para entrarem no projeto.

Os doentes que integram o projeto têm acesso a uma consulta de medicina interna no Hospital S. Francisco Xavier, assim como na USF a que pertencem. As equipas partilham informações para perceberem os eventuais exames necessários e para delinearem um programa de acompanhamento. Este trabalho culmina no desenho de um plano individual de cuidados que permite que os doentes conheçam e controlem melhor as doenças que têm e percebam as alternativas existentes ao serviço de urgência.

De destacar que, apesar de irem frequentemente às urgências, apenas 8% da população estudada não tinha médico de família. Em 2016, em média, estes doentes tinham ido 5,4 vezes às urgências do CHLO. Estes doentes tiveram também, em média, 6,7 consultas nos centros de saúde e 6,3 consultas externas no CHLO.

“Com este projeto de vanguarda queremos dar o primeiro passo para mudar o paradigma dos cuidados aos doentes crónicos. Queremos uma resposta menos fragmentada, menos centrada nas doenças e mais focada nas necessidades do doente, que é neste projeto um verdadeiro parceiro. O Prémio de Boas Práticas em Saúde é um excelente estímulo e reconhecimento ao nosso trabalho e sobretudo aos profissionais deste projeto”, salienta a presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT, Rosa Valente de Matos.

A presidente da ARSLVT reforça que “este programa tem por objetivo melhorar a comunicação e a articulação entre os hospitais, os centros de saúde e os cuidados continuados e garantir a continuidade dos mesmos de forma a evitar internamentos inapropriados e a diminuir o recurso sistemático às urgências”. Rosa Valente de Matos frisa, ainda, que “muitos serviços de saúde estão na verdade a resolver problemas sociais, pelo que o projeto contempla também ligações estreitas com assistentes sociais”.

O projeto-piloto tem vários objetivos, destacando-se em primeiro lugar a melhoria da qualidade de vida e do estado de saúde do doente. Pretende-se, também, atuar atempadamente nas situações de agudização da doença crónica e diminuir tanto o número anual de admissões na urgência como o número de dias que estes doentes precisam de ficar internados. Aumentar a satisfação dos utentes incluídos no projeto-piloto e a efetividade dos cuidados de saúde que lhes são prestados são outros dois objetivos.

Este projeto coloca a ARSLVT e todas as instituições envolvidas na vanguarda da implementação de soluções que reduzem as admissões na urgência. A ideia é que ao longo de 2018 o projeto seja alargado a mais unidades. Ao fim de um ano será feita uma avaliação dos resultados, para que se possa desenhar uma estratégia mais abrangente para toda a região e que possa servir de guia para o resto do país.

O que é o Prémio de Boas Práticas em Saúde?

O Prémio de Boas Práticas em Saúde, nas áreas da qualidade e/ou inovação, visa, tal como nos anos anteriores, estimular a apresentação de candidaturas de boas práticas na gestão clínica ou na gestão das Unidades de Saúde, com impacto na saúde e melhoria do bem-estar das populações. Acresce o facto de se pretender que a qualidade e a inovação em saúde sejam consideradas como áreas prioritárias no âmbito do desenvolvimento das Organizações de Saúde, em consonância com a Estratégia Nacional para a Qualidade em Saúde, aprovada e publicada em 2009.

Mais premiados

Além da menção honrosa da ARSLVT, na mesma categoria, o Prémio de Melhor Projeto foi para a Reorganização da área de ambulatório do Instituto Português de Oncologia do Porto. Na categoria de Posters, o Prémio de Melhor Poster galardoou o projeto Utilizadores Frequentes do Serviço de Urgência Geral do Hospital Garcia de Orta e a menção honrosa distinguiu o Programa de formação e prevenção de anafilaxia nas escolas do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

O Prémio de Boas Práticas é organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, com a colaboração da Direção-Geral da Saúde, da Administração Central do Sistema de Saúde, das Administrações Regionais de Saúde (ARS), da Direção Regional da Saúde dos Açores e da Secretaria Regional da Saúde da Madeira.