Redução de Riscos| Edição Limitada

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26 Janeiro 2017

No passado dia 16 de janeiro, decorreu no Mercado de Santa Clara, em Lisboa, um Encontro sobre Redução de Riscos e Minimização de Danos (RRMD) da Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (DICAD).

Este encontro teve como objetivo concluir o Ciclo de Tertúlias sobre a RRMD que teve início em 2016, e, também, potenciar diferentes formas de reflexão sobre o paradigma de intervenção no domínio do consumo de substâncias psicoativas. Não intervimos nas drogas, trabalhamos os consumos (dependentes, recreativos etc.etc) ou a relação que a pessoa estabelece com as substâncias.

O espaço para o Encontro, o Mercado de Santa Clara, e mais concretamente o Centro de Artes Culinárias, foi escolhido para que o ponto central do encontro girasse em torno de um almoço de trabalho com diversas temáticas associadas.

Para alimentar a discussão do almoço, planeou-se uma manhã com várias apresentações sobre o tema da Redução de Riscos.

A mesa de abertura contou com a presença do vice-Presidente da ARLSVT, Luís Pisco, que, também da sua perspetiva enquanto médico de Medicina Geral e Familiar, falou da importância da intervenção na área dos comportamentos aditivos e, em particular, do trabalho articulado entre a DICAD e outros serviços da ARSLVT que tem vindo a ser realizado no âmbito da Redução de Riscos; e contou também com a presença do Coordenador da DICAD, Joaquim Fonseca, que contextualizou este encontro na dinâmica da DICAD, sublinhando a importância da produção de pensamento sobre a RRMD, como fator mobilizador de intervenções estruturadas.

Seguiu-se a apresentação de uma retrospetiva do trabalho da DICAD em matéria de RRMD na Região de Lisboa e Vale do Tejo, feita pela responsável desta Área de Intervenção na DICAD, Marta Borges. O objetivo foi também impulsionar uma reflexão em torno dos desafios futuros para a área da Redução de Riscos.

Na mesa seguinte, Marta Pinto, investigadora da Faculdade de Psicologia do Porto, apresentou uma reflexão sobre os desafios do paradigma da redução de riscos a nível nacional, seguindo-se Lucas Wiessing, colaborador do Observatório Europeu das Drogas e Toxicodependência - OEDT, que apresentou uma análise sobre tendências e desafios na redução de riscos dos consumo de drogas ao nível do HIV e hepatites.

De seguida, os participantes juntaram-se nas Mesas relativas a diferentes temáticas, as quais haviam sido previamente convidados a escolher, para depois almoçarem e trabalharem em equipa.

Cada mesa, no total de sete, era alusiva a um tema diferente, com o propósito de o relacionar com a Redução de Riscos, com a ajuda de um/a moderador/a.

Assim, a Mesa dos Contextos Recreativos foi moderada por Jose Gerrero do Check!n (APDES); a Mesa do Espaço Público foi moderada por Tiago Saraiva do Atelier Mob; a Mesa do Ativismo foi moderada por Laetitia da Rede sobre o Trabalho Sexual, a Mesa do Trabalho de Rua foi moderada por Cláudia Rodrigues do GiruSetúbal (APDES); a Mesa do Trabalho Sexual foi moderada por Júlio Esteves do Espaço Intendente (GAT); a Mesa do Álcool foi moderada por Francisco Henriques da Unidade de Alcoologia de Lisboa, e por fim a Mesa da Intervenção Comunitária foi moderada por Álvaro Cidrais da Cooperativa Rumo.

O resultado das mesas, foi posteriormente apresentado em plenário pelos/as moderadores/as.

Este Encontro terminou com uma comunicação de Luís Fernandes (Investigador e Professor da Faculdade de Psicologia do Porto), que apresentou uma resenha histórica sobre a intervenção nas drogas em Portugal, nomeadamente no que respeita à emergência do paradigma da Redução de Riscos, as politicas e os seus atores. Luís Fernandes terminou, deixando o desafio da necessidade de criar linguagens diversas para a intervenção no domínio do consumo de substâncias psicoactivas, reinventando a RRMD.